Com uma capacidade para 53 mil pessoas na época, o Estádio Nacional estava superlotado, provavelmente com um público superior ao limite seguro, o que aumentava a pressão e o nervosismo nas arquibancadas.
Aos 40 minutos do segundo tempo, com a Argentina vencendo por 1 a 0, o atacante peruano marcou o que seria o gol de empate. Contudo, o árbitro uruguaio Angel Pazos anulou o lance, alegando falta. A decisão gerou uma fúria instantânea e generalizada da torcida peruana, que se sentiu roubada.
Dois torcedores invadiram o gramado para tentar agredir o árbitro. O mais conhecido, Edilberto Cuenca, foi duramente espancado pela polícia em campo. A brutalidade ao conter os invasores revoltou ainda mais os torcedores, intensificando a desordem.
Com a multidão revidando com objetos, o comandante da polícia no estádio, em pânico e sem preparo para controle de multidão, ordenou o lançamento de bombas de gás lacrimogêneo nas arquibancadas lotadas.O gás lacrimogêneo causou pânico imediato, com milhares de pessoas (incluindo mulheres e crianças) tentando fugir simultaneamente. O principal erro de segurança, no entanto, foi estrutural: os portões externos do estádio que levavam para a rua estavam trancados ou mal abertos.
Com os portões bloqueados, a multidão em pânico foi esmagada contra as grades e paredes de concreto das escadarias, resultando em mortes por asfixia, compressão e hemorragia interna.
O Legado e as Lições Aprendidas
A vasta maioria das 328 vítimas foi encontrada nas escadas e túneis de saída. O episódio permanece como uma mancha na história esportiva do Peru, e o número 328 é um símbolo da maior catástrofe do futebol.
- Punição: Jorge Azambuja, o comandante da polícia que deu a ordem de disparar gás lacrimogêneo, foi condenado a 30 meses de prisão.
- Mudanças no Estádio: Imediatamente após o desastre, a capacidade do Estádio Nacional foi drasticamente reduzida de 53 mil para cerca de 42 mil, visando maior segurança nas saídas.
- Segurança Hoje: O estádio passou por uma significativa modernização em 2011 e hoje opera sob rigorosas normas de segurança.
Imagens da tragédia
A Tragédia do Estádio Nacional de Lima é um testemunho brutal das consequências da má gestão de multidões e da reação policial inadequada. É uma lição dolorosa sobre a necessidade de priorizar a vida e a segurança acima de tudo em grandes eventos.
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